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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Ler Liberdade na Maior FM

A Maior FM deu voz aos poetas de abril.
Com leituras de Carolina Cerqueira, Lucas Esteves, Helena Fins e Sara Socorro (10º J).







José Fanha foi um dos escolhidos.




Eu Sou Português Aqui
Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.
Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.
Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.
Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.
Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que em papa a terra que piso.
Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.
Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.
Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.
Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.
Eu sou português aqui

José Fanha

terça-feira, 24 de março de 2015

Homenagem a Herberto Helder

Morreu ontem com 84 anos Herberto Helder, considerado o maior poeta português da segunda metade do século XX.

www.publico.pt

"Herberto Helder foi um poeta poderoso, a sua obra foi um centro de atracção e um horizonte em relação ao qual todos os seus contemporâneos tiveram de se situar. Como antes tinha acontecido com Fernando Pessoa, também houve um 'efeito Herberto Helder'", diz ao PÚBLICO o crítico António Guerreiro. >>

Seis Poemas de Herberto Helder (Público) >>

O Mito de Herberto Helder (António Guerreiro, Público) >>



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Onda Pina, a poesia em movimento

O Museu Nacional da Imprensa (MNI) está a preparar várias iniciativas para assinalar o 71.º aniversário do nascimento (18. nov. 1943) do jornalista e escritor Manuel António Pina, Prémio Camões 2011.
A nossa biblioteca associa-se a esta comemoração, expondo uma seleção de poemas do autor. Visita, lê e comenta.

 


Biografia e bibliografia >>
Entrevista no Youtube >>
Poemas lidos pelo próprio (edição de Ana Pina) >>
12 poemas (lidos por José Maria Alves) >>
O Tesouro (livro integral) >>

E na tua biblioteca, Todas as Palavras, poesia reunida, da Assírio e Alvim.
Boa leitura!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Feliz S. Valentim

 
 
Vem ler outras mensagens de S. Valentim em Espanhol, Inglês e Alemão. Na área de exposições da biblioteca.

 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nuno Júdice vence prémio Reina Sofia de Poesia Ibero-Americana

O poeta Nuno Júdice foi ontem galardoado com o XXII Prémio Reina Sofia de Poesia Ibero-Americana, atribuído pelo Património Nacional espanhol e pela Universidade de Salamanca, no valor de 42.100 euros.
O prémio reconhece o conjunto da obra poética de um autor vivo que, pelo seu valor literário, constitua uma contribuição relevante para o património cultural partilhado pela comunidade ibero-americana.
O júri considerou o poeta, ensaísta e ficcionista português como autor de uma poesia "muito elaborada, de um classicismo depurado", mas, ao mesmo tempo, com um grande compromisso com a realidade. (...)
Nuno Júdice afirmou que o prémio ajudará à projecção da sua obra e sublinhou que evidencia “a importância da poesia portuguesa” no contexto ibero-americano. “Vai dar projecção à minha obra, mas mais importante que isso, mostra que a poesia portuguesa continua a ter um papel importante neste contexto [ibero-americano]”, disse à Lusa o autor, que confessou estar “contentíssimo” com o galardão. >>
Jornal Público, 16 de maio de 2013
 
 
Na nossa biblioteca:
 
Poesia Reunida 1967-2000 com prefácio de Teresa Almeida (Publicações Dom Quixote)





quarta-feira, 21 de março de 2012

Todo o tempo é de poesia

                           
                                            Todo o tempo é de poesia
                                            Desde a névoa da manhã
                                            à névoa do outro dia.

                                            Desde a quentura do ventre
                                            à frigidez da agonia
                                            Todo o tempo é de poesia
                                            Entre bombas que deflagram.

                                            Corolas que se desdobram.
                                            Corpos que em sangue soçobram.
                                            Vidas que a amar se consagram.

                                            Sob a cúpula sombria
                                            das mãos que pedem vingança.
                                            Sob o arco da aliança
                                            da celeste alegoria.

                                            Todo o tempo é de poesia.
                                            Desde a arrumação ao caos
                                            à confusão da harmonia.

António Gedeão, Tempo de Poesia

terça-feira, 6 de março de 2012

Cavalete da Palavra 10F



 MUNDO, um matemático diria que tem 5 letras, um linguista que tem três consoantes e duas vogais. Eu, que nem linguista nem matemático sou, digo que não há palavras que descrevam como o vejo. (...)

Rita Barbosa


                                                   Só há uma idade para sermos felizes,
                                                   Só há uma altura na vida de cada um de nós
                                                   Em que é possível sonhar e fazer planos.
                                                   (...)
                                                   Essa idade tão breve na nossa vida,
                                                   Chama-se Presente
                                                   E tem a duração do instante que passa.
                                                                                                                       Cátia Rosa

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Homenagem a Florbela Espanca

Faz hoje 117 que Florbela Espanca nasceu.

Poema "Versos", em A Mensageira das Violetas

Para saber mais sobre a vida e a obra de Florbela Espanca >>

Livro de Mágoas, 1ª edição (1919): e-book gratuito - Projecto Gutenberg

A Mensageira das Violetas: e-book gratuito - Domínio Público


“Florbela Espanca. O espólio de um Mito” é o tema do colóquio internacional em homenagem à figura, obra e espólio da poetisa Florbela Espanca, parte integrante do projecto homónimo sedeado no Centro de Estudos em Letras da Universidade de Évora, e que decorre de 6 a 8 de Dezembro, no Teatro Florbela Espanca em Vila Viçosa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ruy Belo: Homem de Palavra[s]

Celebrando o cinquentenário da publicação de Aquele Grande Rio Eufrates (1961), o Colóquio Internacional Ruy Belo: Homem de Palavra[s], organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, realiza-se hoje e amanhã e destina-se a homenagear a obra de um dos poetas centrais da segunda metade do século XX. Aberto a estudiosos da obra de Ruy Belo, mas também a especialistas da poesia portuguesa do século XX e da teoria e crítica literárias, este encontro pretende pôr em relevo os múltiplos problemas que a sua poesia coloca, os universos de referência e o seu lugar no panorama da poesia contemporânea.

Clique aqui para ver o programa.


Transmissão directa online compatível com IPHONE e IPAD
Android:
http://www.livestream.com/fcglive

Homenagem a Ruy Belo e entrevista com Teresa Belo no Diário Câmara Clara

Para ler: Obra poética de Ruy Belo na nossa biblioteca.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Poesia e Árvores


Cada árvore é um ser para ser em nós
Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses

António Ramos Rosa



Árvores muito especiais

Poesia para ouvir

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Poesia para ouvir

Porque a poesia também se ouve, Horas de Poesia é um espaço onde se arrancam as palavras do papel e "dizem-se, soprando-lhes vida nova, fazendo-as flutuar em sonoras centelhas de luz."


A propósito, a poesia também se pode ver.
Procurem o DVD VOZ - Vídeo-poemas em Língua Portuguesa na nossa biblioteca.