Mostrar mensagens com a etiqueta Ondjaki. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ondjaki. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Livros QR: Os da minha rua

Apreciação crítica produzida no âmbito do Projeto de Leitura - Português - 10º ano.

       Ondjaki é um dos mais jovens escritores premiados na literatura em português, tendo ganhado vários prémios, nomeadamente em 2013, o Prémio José Saramago e, em 2016, o Prémio Littérature-Monde.
       Este livro remete-nos para Luanda, capital de Angola, e retrata a infância do autor. Por essa razão, a sua escrita é acessível e de fácil compreensão. Além disso, a obra está dividida em capítulos com diversos intervenientes.
       O primeiro capítulo “O voo de Jika”, conta uma das “estórias” mais engraçadas que o autor viveu com um dos seus melhores amigos, o Jika. Certo dia, o último, numa das suas brincadeiras, propôs a Ndalu que saltassem do telhado, utilizando um guarda-chuva como paraquedas. Como Ndalu gostava das brincadeiras do seu amigo, concordou em atirar-se com ele. Após a queda, Jika propôs-lhe atirarem-se de novo, mas utilizando um guarda-sol. Só que Ndalu disse que não pois tinha noção que a brincadeira poderia ser perigosa.
       Outro episódio interessante é aquele em que o narrador nos conta a “estória” das suas cinco primas que não viam bem e necessitavam de óculos. Porém, só a mais velha Charlita é que tinha uns grossos, amarelos e feios. Na hora da novela, as filhas do tio Tuarles tinham de emprestar os óculos umas às outras para poderem ver as pessoas nítidas, a Charlita ria-se porque só ela, durante o dia, é que podia ver tudo com clareza.
       Aconselho vivamente a leitura deste livro, pois envolve-nos numa infância muito especial, feliz e divertida sempre a viver cada dia ao máximo. Ao contrário dos dias de hoje, em que as crianças passam mais tempo com novas tecnologias do que a brincar na rua! Adorei o livro, pois o que tornou a infância de Ondjaki tão marcante foi viver essas “estórias” incríveis!

Marta Barros, 10ºI

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ondjaki vence Prémio Saramago

 
À oitava edição, o Prémio Literário José Saramago foi para Ondjaki, escritor e poeta que nasceu em Luanda em 1977, autor do romance Os Transparentes, publicado pela Caminho em 2012 e que é um retrato de Angola.
O prémio foi anunciado no passado dia 5 na sede da Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, em Lisboa. Numa cerimónia em que a poeta angolana Ana Paula Tavares, e um dos membros do júri, fez o elogio do autor e da obra distinguida por unanimidade.
"Este prémio não é meu, este prémio é de Angola." Foi assim que Ondjaki agradeceu o prémio, no valor de 25 mil euros. "Eu não ando sozinho, faço-me acompanhar dos materiais que me passaram os mais velhos. Na palavra 'cantil' guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede."
"Este é um livro sobre uma Angola que existe dentro de uma Luanda que eu procurei escrever e descrever. Fi-lo com o que tinha dentro de mim entre verdade, sentimento, imaginação. E amor. É uma leitura de carinho e de preocupação. É um abraço aos que não se acomodam mas antes se incomodam. É uma celebração da nossa festa interior, trazendo as makas, os mujimbos, algumas dores, alguns amores. Penso que todos queremos uma Angola melhor", disse o escritor no seu discurso de agradecimento." >>
Público, 5/11/2013
 
 
Obras de Ondjaki na nossa biblioteca (clicar para ver sinopses):
 

http://www.wook.pt/ficha/os-transparentes/a/id/14160563         http://www.wook.pt/ficha/os-da-minha-rua/a/id/191850



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os da minha rua


OS DA MINHA RUA - ONDJAKI

Ndalu de Almeida, popularmente conhecido por Ondjaki, nasceu em Luanda em 1977. Apesar de jovem, publicou já vários livros (contos, romances, poesia), alguns premiados, e está traduzido em diversas línguas.



OS DA MINHA RUA, publicado pela Caminho, e galardoado com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2007, é um livro de estórias.
Essas estórias são pequenos contos, em linguagem cinematográfica, simples e coloquial, que nos remetem para a infância traquina e irreverente dos “da minha rua” / dos “da minha infância”.

«(…) vi, pela primeira vez na minha vida, esses caroços que eles chamavam de «tremoços». (…)
Disseram para eu provar, não gostei do sabor. Mas pelo formato, e também por causa da experiência que eu já tinha com as fisgas lá na minha rua de Luanda, vi que aquele tremoço dava masé para ser disparado só assim apertando com os dedos. Fui lá fora treinar na árvore e quando voltei à sala já tinha a pontaria bem afinada. A primeira vítima foi a minha irmã, a segunda foi uma velha que estava lá sentada e que era muda. Fiquei todo satisfeito porque pensei que ela não fosse me queixar. Mas era uma velha queixinhas e o meu pai pôs-me de castigo.»
(Do conto «A ida ao Namibe»)