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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Saramago em podcast

A Biblioteca Escolar desafiou e os professores de Português motivaram os seus alunos! Durante o mês de novembro homenageamos José Saramago com a leitura de excertos das suas obras. Destacamos João Fonte, do 12º A, com "Poema à boca fechada". Ouçam outras leituras nas nossas redes sociais!

Obrigada a todos os participantes das turmas 10º A, 10º D, 12º A, 12º J, 12º L e 10º N.



sábado, 16 de novembro de 2013

Dia do Desassossego


Uma proposta irrecusável da Fundação José Saramago.
"O Dia do Desassossego é uma ocasião para sair à rua com um livro na mão e ler em lugares públicos, de tal forma que o desassossego das ideias penetre a vida social ao mesmo tempo que fortalecemos o pensamento para combater o desânimo e a depauperação a que nos submetem. Ler para contemplar o espetáculo do mundo de outra perspetiva, para intervir e reforçar os argumentos de bem comum, próprios de seres humanos que se respeitam e honram a sua condição de cidadãos. O Dia do Desassossego é um dia de militância ativa, cada pessoa com um livro, muitas com muitos livros. [...]
Enchamos [...] as nossas cidades de livros. Leiamos na rua, em voz alta ou em silêncio.
Leiamos para nos reconhecermos, para nos reforçarmos, para sermos mais lúcidos e independentes. Leiamos para nos conquistarmos." 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Memorial do Convento - Capas

 Memorial Do Convento - Capas


As capas de uma obra literária são um importante apelo à leitura da mesma. Deixa aqui o teu comentário sobre a capa que te parece mais adequada ao conteúdo do "Memorial do Convento", de José Saramago.

Ver mais >>


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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

90 anos de José Saramago - Dia do Desassossego

A Fundação José Saramago acaba de lançar um novo espaço virtual para comemorar os 90 Anos do escritor - o Blog 90 Anos de José Saramago.

Uma curta biografia resume uma vida cheia e desassossegada. "Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, no dia 16 de novembro de 1922, se bem que o registo oficial mencione como data de nascimento o dia 18. [...]" Naquele tempo, nem sempre era possível registar as crianças no prazo legal estabelecido!

O dia de nascimento de Saramago será assinalado com um conjunto de iniciativas sob a designação de Dia do Desassossego, glosando a filosofia de vida do escritor e do homem, "vivo desassossegado, escrevo para desassossegar".

A biografia prossegue. "[...]Fez estudos secundários (liceais e técnicos) que, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, tradutor, editor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance, Terra do Pecado, em 1947, tendo estado depois largo tempo sem publicar (até 1966).[...]"  Continuar >>

Para se desassossegar a obra é vasta e há muito por onde escolher...

sábado, 18 de junho de 2011

José Saramago, 1922-2010






As Intermitências da Morte
No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. A passagem do ano não tinha deixado atrás de si o habitual e calamitoso regueiro de óbitos, como se a velha átropos da dentuça arreganhada tivesse resolvido embainhar a tesoura por um dia. Sangue, porém, houve-o, e não pouco. Desvairados, confusos, aflitos, dominando a custo as náuseas, os bombeiros extraíam da amálgama dos destroços míseros corpos humanos que, de acordo com a lógica matemática das colisões, deveriam estar mortos e bem mortos, mas que, apesar da gravidade dos ferimentos e dos traumatismos sofridos, se mantinham vivos e assim eram transportados aos hospitais, ao som das dilacerantes sereias das ambulâncias. Nenhuma dessas pessoas morreria no caminho e todas iriam desmentir os mais pessimistas prognósticos médicos, Esse pobre diabo não tem remédio possível, nem valia a pena perder tempo a operá-lo, dizia o cirurgião à enfermeira enquanto esta lhe ajustava a máscara à cara. Realmente, talvez não houvesse salvação para o coitado no dia anterior, mas o que estava claro é que a vítima se recusava a morrer neste. E o que acontecia aqui, acontecia em todo o país. Até à meia-noite em ponto do último dia do ano ainda houve gente que aceitou morrer no mais fiel acatamento às regras, quer as que se reportavam ao fundo da questão, isto é, acabar-se a vida, quer as que atinham às múltiplas modalidades de que ele, o referido fundo da questão, com maior ou menor pompa e solenidade, usa revestir-se quando chega o momento fatal. Um caso sobre todos interessante, obviamente por se tratar de quem se tratava, foi o da idosíssima e veneranda rainha-mãe.


Para ouvir

Excertos da obra Intermitências da Morte, de José Saramago, ditos por Luís Gaspar.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Leituras para SABOREAR

Queres SABOREAR a leitura de Saramago?

"O telefone tocou, era o ministro do interior, Senhor primeiro-ministro, estou a receber chamadas de todos os jornais, disse, exigem que lhes sejam fornecidas cópias da carta que acaba de ser lida na televisão em nome da morte e que eu deploravelmente desconhecia, Não o deplore, se entendi assumir a responsabilidade de guardar segredo foi para que não tivéssemos de aguentar doze horas de pânico e de confusão, Que faço, então, Não se preocupe com este assunto, o meu gabinete vai distribuir a carta agora mesmo por todos os órgãos de comunicação social, Muito bem, senhor primeiro-ministro, O governo reunir-se-á às dez horas em ponto, traga os seus secretários de estado, Os subsecretários também, Não, esses deixe-os a guardar a casa, sempre ouvi dizer que muita gente junta não se salva, Sim, senhor primeiro-ministro, Seja pontual, a reunião principiará às dez horas e um minuto, Tenha a certeza de que seremos os primeiros a chegar, senhor primeiro-ministro, Receberá a sua medalha, Que medalha, Era só uma maneira de falar, não faça caso."
As Intermitências da Morte, José Saramago

Em "As Intermitências da Morte", encontras o contexto.
Os políticos terão resolvido os problemas referidos na carta?

Aparece na biblioteca hoje a partir das 14 horas.